sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

PRODUTORES TÊM SE TORNADO ALVO DA AÇÃO DE GOLPISTAS NO ESTADO



Agricultor
A vida simples do homem do campo é com frequência colocada à prova por pessoas que, de olho no lucro das propriedades rurais, têm se especializado em aplicar golpes, lesando milhares de produtores no Estado.Preços acima do comum e vantagens que as empresas normalmente não oferecem são alguns dos atrativos usados para atrair agricultores para armadilhas. A ingenuidade e o sentimento de confiança do povo do campo acabam facilitando a aplicação de golpes.
No Noroeste, um caso investigado pela Delegacia de Polícia de Santo Ângelo teria feito mais de 300 vítimas. Entusiasmados com o valor extra de R$ 0,03 por litro de leite, oferecido por um homem que se dizia intermediário de uma empresa, agricultores de municípios da região ficaram sem receber pelo produto entregue.
O prejuízo – a ação se desenrolou ao longo de meses, em diferentes cidades – é estimado em cerca de R$ 12 milhões pelo delegado de polícia de Santo Ângelo, Heleno dos Santos.
– Os produtores não têm documento, cadastro ou contrato que oficialize a transação. Muitas vezes, o caminhão que busca o leite muda, e mesmo assim, entregam o produto sem questionar – afirma o titular da DP.
Muitos casos sequer são comunicados à polícia. O produtor Edson Becker, 45 anos, amarga um prejuízo de R$ 7 mil, por 9 mil litros de leite que entregou sem receber pagamento. Ainda assim, não registrou ocorrência, na esperança de que a situação venha a ser resolvida:
– Entreguei uns três meses e pagaram certo. Daí em diante, não consegui mais receber – conta Becker, de Boa Vista do Cadeado.
Para quem vive da produção leiteira de 18 vacas, o rombo no caixa é considerável. Há dois meses, o único sustento da família de Becker vem do cultivo de morangos. Tudo o que o agricultor tem para provar a relação comercial é uma caderneta com a assinatura do transportador que retirou o leite da propriedade.
– Foi no fio do bigode – conta Becker, explicando que confiou na proposta do golpista.
Outro golpe frequente é o da compra de gado. O diretor jurídico da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Nestor Hein, recebe semanalmente consultas de sindicatos do Interior, contando situações semelhantes, em que ao final, o produtor acaba lesado:
– Há aventureiros no Interior que alugam plantas frigoríficas, pagam bem pelo gado no começo para preparar o golpe e, depois, compram lotes muito grandes e desaparecem.
Ao tentar cobrar pelo produto entregue, o criador descobre que o escritório fechou e os telefones não atendem mais.
Também são comuns golpes envolvendo a venda de equipamentos agrícolas com descontos improváveis e preços de barbada, que igualmente trazem perdas significativas para o produtor rural.
Outro problema são os cheques sem fundos usados na compra de frutas, ovos e outros produtos.
Apesar de ser uma forma de proteção, a orientação de comprar de quem tem tradição e é confiável nem sempre funciona. Conforme o coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul do Brasil (Fetraf Sul), Celso Ludwig, milhares de produtores filiados a cooperativas ou que trabalham sob forma de integração com frigoríficos de suínos e aves também são vítimas da má gestão. Muitas vezes, esses casos provocam quebradeira em propriedades e têm consequência direta na economia dos municípios.
Em caso de dúvida, o indicado é sempre procurar a orientação de sindicatos, advogados e registrar os casos em uma delegacia de polícia.
– O produtor não pode acreditar em ofertas mirabolantes e deve pedir orientação antes de fazer negócios – alerta Hein.
Produtor entra na Justiça para reaver dinheiro
O produtor Valdir Tonon, de Cruz Alta, foi lesado em mais de R$ 30 mil por um intermediário que comprou e não pagou pela produção leiteira. Agora, espera conseguir reaver na Justiça os valores a que tem direito. Como ele, cerca de 300 produtores da região noroeste do Estado caíram no conto do atravessador, que comprou o leite, mas não repassou o dinheiro aos produtores.
Proprietário de 40 vacas leiteiras, Tonon costuma fazer tudo certinho: tira nota e sempre confere para quem está vendendo. Mas, desta vez, nem a precaução adiantou.
– Eles se apresentaram como sendo de uma indústria paulista, eu investiguei e a empresa era idônea, com mais de 50 anos no mercado. Só que no final, tinha um atravessador que vendeu o produto e embolsou o dinheiro – conta.
Foram 53 mil litros de leite perdidos pelo produtor que, atraído pelo preço alto, entregou o fruto de dois meses de trabalho. Numa audiência na Justiça de Cruz Alta, o intermediário se propôs a pagar o atrasado em parcelas se o produtor voltasse a entregar o leite.
– Aprendi a lição, vou desconfiar sempre – explica Tonon.
A cautela como aliada
Desconfie de propostas com preços muito diferentes da média dos oferecidos, ofertas muito boas, ou negócios fáceis.
Combine a venda, exija que seja feita por meio de contrato e com nota no momento da retirada do produto.
Certifique-se quando for convidado a ser avalista ou fiador, tanto em operações individuais, de agricultor para agricultor, quanto de ações cooperativadas, que a ação tenha sido aprovada em assembleia e que permitam levar o documento para análise de um advogado.
Verifique, em caso de trabalho sob o sistema de integração, se a empresa se responsabiliza por restituir o investimento em caso de quebra de contrato nos casos em que são exigidas obras de modernização nas instalações.
Assegure-se de que a cobertura de apólices de seguro esteja sempre expressa no contrato.
Envie contratos para um advogado ler antes de assiná-lo e busque orientações no sindicato local, que costuma oferecer gratuitamente esse tipo de serviço.
Procure a polícia se desconfiar que existe algo de errado na negociação.
Fontes: Fetraf/Sul, Farsul e delegado Heleno dos Santos

Zero Hora/PORTAL NONOAI

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