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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A corrida estrangeira pela terra brasileira. Entrevista especial com Maíra Martins


“Apesar de pequenos agricultores produzirem quase a metade dos alimentos no mundo, eles constituem a população mais fragilizada, em situação de miséria e fome, cuja ausência de titularidade ou posse da terra os torna mais vulneráveis”, constata a socióloga.
Confira a entrevista.
A compra de terras por empresas estrangeiras está aumentando em “países cuja governança sobre a terra é frágil, as negociações são pouco transparentes e, em muitos casos, sem consulta prévia às populações envolvidas ou potencialmente atingidas pelos empreendimentos”, informa Maíra Martins, pesquisadora da ActionAid Brasil à IHU On-Line. Segundo ela, os dados do relatório “Situação da Terra”, realizado pela ONG, indicam que, diante da crise econômica internacional, “a garantia do direito à terra, acesso aos territórios e meios de vida das comunidades e populações pobres no meio rural é crucial para o combate à fome e para a redução das desigualdades no mundo”.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Maíra esclarece que a aquisição das terras aumentou após a crise econômica de 2007 e 2008. “No contexto da crise financeira e econômica, muitos investidores voltaram-se para o mercado de terras. A chamada ‘corrida por terras’ se deve também à demanda por biocombustíveis e matérias primas, com destaque para algumas commodities como milho, soja, cana-de-açúcar, dendê e florestas plantadas (eucalipto), cultivos estes voltados para exportação”. E acrescenta: “Estima-se que as transações com terras, cuja média era de 4 milhões de hectares por ano até 2008, saltaram para 45 milhões de hectares somente entre outubro de 2008 e agosto de 2009, sendo grande parte dessas negociações, em torno de 75%, no continente africano”.
O processo de estrangeirização das terras brasileiras ocorre desde os anos 1970, mas a partir de 2008, “também houve a intensificação da participação de estrangeiros em investimentos agropecuários, bem como na aquisição de terras no Brasil, acompanhando a tendência global”, informa. De acordo com a pesquisadora da ActionAid, o continente Africano é o principal alvo de interesse das empresas. “Em 2010, o Banco Mundial estimou que cerca de 46 milhões de hectares de terra agricultáveis haviam sido negociados no continente. Grande parte dessas aquisições ocorre em países com altos índices de fome e pobreza, cuja legislação e governança sobre a terra são frágeis, bem como os meios para proteger os direitos das populações afetadas”.
Maíra Martins é assessora de pesquisa e políticas da ActionAid Brasil, socióloga e mestre em Ciências Sociais com foco em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro  UFRRJ.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quais são os dados mais preocupantes do relatório “Situação da Terra” em relação à compra de terras tradicionais por empresas estrangeiras e a crise alimentar?
Maíra Martins – O relatório trata do problema das aquisições de terra em larga escala em países em desenvolvimento. Dividido em duas partes, na primeira apresenta os impactos da corrida por terras para as comunidades rurais e, em especial, para as mulheres. Na segunda parte analisa a situação de 24 países no que concerne a sua situação fundiária e sua capacidade (política, legal e jurídica) para proteger os direitos territoriais das populações e comunidades, cujo meio de vida depende da terra e dos recursos naturais.
Chama atenção para o fato de que grande parte dos investimentos em compras de terras tem se dado em países cuja governança sobre a terra é frágil, as negociações são pouco transparentes e, em muitos casos, sem consulta prévia às populações envolvidas ou potencialmente atingidas pelos empreendimentos.
Apesar de pequenos agricultores produzirem quase a metade dos alimentos no mundo, eles constituem a população mais fragilizada, em situação de miséria e fome, cuja ausência de titularidade ou posse da terra os torna mais vulneráveis. No caso das mulheres a situação é mais grave: embora tenham papel crucial na agricultura e reprodução dos modos de vida, possuem apenas 2% de toda a terra globalmente. Assim, no contexto de crise dos preços dos alimentos e fome no mundo, a mensagem central do relatório é de que a garantia do direito à terra, acesso aos territórios e meios de vida das comunidades e populações pobres no meio rural é crucial para o combate à fome e para a redução das desigualdades no mundo.
IHU On-Line – Desde quando está em curso a estrangeirização de terras no Brasil e nos demais países da África e da Ásia?
Maíra Martins – Após a crise dos preços dos alimentos em 2007-2008, identifica-se o aumento expressivo da aquisição de terras em larga escala. No contexto da crise financeira e econômica, muitos investidores se voltaram para o mercado de terras. A chamada “corrida por terras” se deve também à demanda por biocombustíveis e matérias primas, com destaque para algumas commodities como milho, soja, cana-de-açúcar, dendê e florestas plantadas (eucalipto), cultivos estes voltados para exportação. Estima-se que as transações com terras, cuja média era de 4 milhões de hectares por ano até 2008, saltaram para 45 milhões de hectares somente entre outubro de 2008 e agosto de 2009, sendo grande parte dessas negociações, em torno de 75%, no continente africano.
No caso do Brasil, o processo de estrangeirização das terras não é necessariamente novo: a cooperação nipo-brasileira para o desenvolvimento da agricultura nos Cerrados, na década de 1970, é considerada um importante marco desse processo por pesquisadores. Contudo, tem sido verificado que, a partir de 2008, também houve a intensificação da participação de estrangeiros em investimentos agropecuários, bem como na aquisição de terras no Brasil, acompanhando a tendência global.
IHU On-Line – Entre os países da América Latina, África e Ásia, é possível apontar em qual dos continentes há maior disputa pelos territórios e onde as empresas estrangeiras mais compram terras? Quais os interesses das empresas nesses países?
Maíra Martins – O continente africano tem sido o principal alvo dos interesses das empresas em aquisições e terras. Em 2010, o Banco mundial estimou que cerca de 46 milhões de hectares de terra agricultáveis haviam sido negociados no continente. Grande parte dessas aquisições ocorre em países com altos índices de fome e pobreza, cuja legislação e governança sobre a terra são frágeis, bem como os meios para proteger os direitos das populações afetadas. As empresas, por outro lado, buscam boas oportunidades de investimento, nesse sentido, encontram facilidades para compra de terras ou contratos de arrendamento, incentivos fiscais, preços de terra mais baratos, bem como populações fragilizadas por não possuírem garantias legais.
IHU On-Line – Que empresas participam desse comércio de terras? Quais as implicações dessas negociações?
Maíra Martins – Diversos setores participam das negociações por terras, desde fundos de investimento e especuladores – cujo interesse é a valorização da terra, como empresas nacionais e multinacionais de produção de etanol, eucalipto, milho, soja – até setores damineração e outras indústrias extrativas.

IHU On-Line – O que muda em relação à produção agrícola uma vez que as empresas estrangeiras são donas dos territórios?
Maíra Martins – Territórios que antes eram habitados ou produzidos por uma comunidade, bem como seus recursos naturais (água, solo, fauna, etc.), são monopolizados nas mãos de poucos, geralmente convertidos em regiões de monocultivos para exportação, com alto uso de agrotóxicos, intenso consumo dos recursos hídricos e poluição do ar ou do subsolo. Dependendo do setor, emprega-se pouca mão de obra, não contribuindo muito para o desenvolvimento local.
IHU On-Line – Qual o posicionamento dos governos desses países em relação à compra de terras nacionais?
Maíra Martins – Para muitos governos a entrada de investimentos estrangeiros no país é tida como oportunidade de geração de renda e emprego para as comunidades, além de ser uma oportunidade de transferência de tecnologia. Sabemos que não é esse processo que tem sido noticiado e denunciado por muitas organizações ao redor do mundo. Nesse sentido, há discussões em âmbito internacional e em muitos países sobre maneiras de fortalecer os mecanismos de governança sobre a terra e regular os investimentos das empresas, cobrando mais responsabilidades dos investidores estrangeiros. Mais de cem países do Comitê Global de Segurança Alimentar endossaram as diretrizes globais voluntárias sobre a gestão responsável da posse da terra e os direitos de acesso à terra, à pesca e aos recursos florestais. No entanto, por serem voluntárias, é necessário que os países adaptem aos seus contextos nacionais e incorporem os princípios e recomendações em formato de legislação.
IHU On-Line – Qual a situação específica do Brasil? É possível estimar que percentual do território brasileiro já pertencente a empresas estrangeiras?
Maíra Martins – O Brasil possui uma estrutura fundiária extremamente concentrada, resultado de nosso processo histórico, da maneira como a terra tornou-se propriedade privada e também reserva de valor. Como demonstra os dados do último censo agropecuário, as pequenas propriedades rurais, com menos de dez hectares, ocupam apenas 2,7% da área total dos estabelecimentos rurais, algo torno de 7,8 milhões de hectares, um terço do que, por exemplo, é hoje ocupado somente com a soja. Ao mesmo tempo em que assistimos a expansão das fronteiras agrícolas para as monoculturas de exportação, com forte investimento estrangeiro, os processos de reforma agrária, de demarcação de territórios indígenas e quilombolas estão quase parados.
Há também fragilidades nos cadastros dos imóveis, revelando o fraco controle do estado sobre a governança da propriedade da terra no Brasil. Isso afeta uma identificação precisa das aquisições de terras por estrangeiros. Dos 850 milhões de hectares em terras no Brasil, apenas a metade está cadastrada como imóvel rural no sistema nacional de cadastro rural doIncra. Desse modo, é difícil definir percentuais sobre o território. Segundo estudos do Nead, baseado nas fontes do Sistema Nacional de Cadastro Rural  SNCR do Incra, em 2008 existiam 34.632 registros de imóveis em mãos de estrangeiros, equivalente a uma área total de 4 milhões de hectares, parte significativa desses imóveis classificados como grandes propriedades rurais.
IHU On-Line – O comércio de terras em larga escala tem estimulado o aumento do preço dos alimentos e a produção dos biocombustíveis. Quais as razões dessas consequências?
Maíra Martins – O interesse por terra para atender à demanda por commodities agrícolas ou para especulação tem provocado o aumento do preço da terra e a substituição de cultivos essenciais para segurança alimentar por produtos voltados para exportação. Esse processo reforça a tendência para concentração fundiária e monopólio, contribui para o encarecimento dos preços dos alimentos devido ao aumento dos custos de produção (preço da terra, distância e transporte etc.) e redução de oferta de alimentos.
IHU On-Line – Como esse comércio tem prejudicado as comunidades tradicionais e pequenos agricultores em todo o mundo? Quais os riscos de acirrar ainda mais a crise alimentar?
Maíra Martins – A pressão sobre as terras tem provocado o deslocamento de muitas comunidades – às vezes por processos violentos e conflituosos – inviabilizando seus modos de vida e formas de reprodução de sua cultura. Por não terem a propriedade ou posse da terra, as populações rurais mais pobres são facilmente deslocadas e expropriadas e, para aqueles que possuem a titulação, a pressão inflacionária do preço da terra e a chegada de investimento ao redor inviabilizam a permanência em suas terras, levando-os à venda ou arrendamento. Por exemplo, podemos imaginar uma família de pequenos agricultores que estão cercados por fazendas de cana de açúcar, com intenso uso de agrotóxicos, ocorrências de queimadas, e assoreamento dos rios, frequentemente assediadas para vender ou arrendar suas terras.
Muitos são os riscos para a crise alimentar. Esse processo recente de aquisições de terras vai na contramão do que se considera necessário para garantir a produção de alimentos, reduzir os impactos das crises dos preços e inflação. Essa busca por terras contribui para agravar a concentração de terra, renda e investimentos em alguns setores, sobretudo na distribuição, pressionando os preços e contribuindo para inflação.
Como dito acima, os agricultores familiares são aqueles que produzem grande parte dos alimentos consumidos no mundo. É preciso políticas que fortaleçam pequenos agricultores, comunidades tradicionais, dando-lhes acesso à terra e meios de produzir alimentos e reproduzir seus modos de vida com dignidade.
(Ecodebate, 31/10/2012) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.
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Até 2020, eólica deve ter 12% de participação, com 20 Gigawatts (GW) instalados

Parque Eólico de Cerro Chato. Foto: Divulgação

Parque Eólico de Cerro Chato. Foto: Divulgação

Com a paralisação de projetos desse mercado na Europa devido à crise econômica, a energia gerada pelos ventos deve conseguir 40 bilhões de investimentos em 2020, mais que duplicando o número atual de parques.
Todos os ventos sopram a favor. Torres de até 120 metros de altura, que recebem as melhores correntes, muitos “parques” disponíveis e investimentos internos e externos estão transformando a energia eólica na fonte energética que mais cresce no país. Na matriz elétrica brasileira, a participação da energia gerada pelos ventos deve passar dos atuais 1,5% para 5,4% em 2016, chegando a 12% em 2020, com 20 Gigawatts (GW) instalados. Já são 104 parques em funcionamento, que passarão a 125 até o final de 2012, chegando a 250 em 2016, a maioria no Nordeste e no Sul. Matéria no Valor Econômico, socializada peloJornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4614.
“Até 2020 os investimentos somarão R$ 40 bilhões e os empregos no setor chegarão a 280 mil. Os desembolsos feitos pelo setor no período de 2004 a 2011 somaram R$ 25 bilhões. Hoje, o Brasil é o único país que investe em fonte eólica e recebe recursos de fora. A China e a Índia também investem, mas não recebem investimentos externos. O fato de o Brasil ser receptivo a investimentos do exterior traz uma competição muito grande entre os fornecedores e faz com que os preços se tornem mais baixos”, afirma Elbia Melo, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
“A crise na Europa paralisou os projetos naquele mercado”, acrescenta Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O executivo observa que “na China só entram empresas que produzem equipamentos na própria China. Por conta disso, as empresas estrangeiras focaram no Brasil”. Para se ter uma ideia da força do mercado brasileiro, em 2008 o país possuía um único fabricante de aerogeradores e hoje, segundo dados da Abeeólica, já são onze as empresas. De 2004, quando o Brasil iniciou o processo de investimentos na área de eólica, para cá, o setor teve um salto em termos de tecnologia que não deixa nada a dever à Europa e Estados Unidos.
“Naquela época foram contratadas da fonte eólica, por parte do governo, cerca de 1.400 MW a um preço elevado, da ordem de R$ 312,00 o MW hora, sendo que a hidrelétrica custava cerca de R$ 60,00. Pagamos cinco vezes o preço de mercado para a fonte mais competitivas, mas justamente com o objetivo de trazer conhecimento para que no futuro pudéssemos ter os benefício do investimento”, diz Elbia.
Já em 2011, com tecnologias comparáveis às melhores do mundo, a energia eólica chegou a ser contratada a R$ 100,00 o MW hora. “A energia eólica vive agora nova etapa de competitividade no país, com previsão de chegar em 2020 com investimentos da ordem de R$ 40 bilhões. Essa nova fase, iniciada em 2009, totaliza a contratação de 6,7 (GW) de potência, ao preço de R$ 100 por Megawatt (MW) hora”, afirma.
Ao contrário do passado, hoje o Brasil produz a fonte eólica mais competitiva do mundo. “O progresso tecnológico está ao alcance de todos. Tanto os Estados Unidos como a Europa têm acesso à mesma tecnologia que o Brasil, entretanto o Brasil produz a fonte eólica de forma mais competitiva pela qualidade de nossos ventos e pelo momento econômico que estamos vivendo”, diz Elbia. Pelos seus cálculos, atualmente, a tarifa de energia eólica lá fora, que é subsidiada, está entre R$ 250,00 e R$ 300,00 o MW/hora. “Quase três vezes maior que o praticado no Brasil”, diz.
Estudo feito pela EPE aponta que a geração de energia elétrica por usinas eólicas deve aumentar sete vezes no país até 2014, considerando os últimos cinco anos, passando para 7 GW. Para ilustrar a capacidade do Brasil na produção desse tipo de energia, o presidente da EPE lembra que além de limpa, a energia eólica é complementar à hídrica, pois os ventos aumentam nos meses em que chove menos, de maio a novembro. “A Dinamarca vende energia eólica para a Noruega à noite e compra dela energia hídrica de dia. E o Brasil produz as duas coisas”, afirma.
Há pouco mais de uma década, o potencial eólico brasileiro era de 143 GW, concentrados nas regiões Nordeste e Sul do Brasil. “A evolução tecnológica permitiu que as torres dos primeiros projetos, em 2001 e 2004, que tinham 50 metros de altura, atingissem hoje de 100 a 120 metros. Uma torre mais alta tem capacidade maior de captação do vento e torna a produção de uma massa muito maior”, explica Elbia. Por conta da evolução, o potencial brasileiro de geração de eólica passou de 143 GW para 300 GW. “A fonte eólica tem um futuro promissor no Brasil”.
EcoDebate, 31/10/2012
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A mídia ladra, Lula passa, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

Eleições 2012
[EcoDebate] Como íamos dizendo “até hoje o PT não perdeu eleições por razões éticas” (Dirceu e o Supremo Jiló). Continua não perdendo. Tanto é que o partido aumentou em aproximadamente 80 municípios o seu número de prefeitos. O PSDB caiu, o DEM quase sumiu. A única diferença foi o crescimento do PSB e a eleição de alguns candidatos mais à esquerda, bem votados, como do PSTU e PSOL.
A oposição tucanada teve tudo que queria: julgamento do mensalão, transmitida ao vivo, condenação de petistas, mídia no ataque 24 horas por dia, enfim, como o diabo gosta. Foi a lavagem da alma da elite. Nem por isso o resultado mudou. Como já dizíamos desde os tempos do mensalão em 2004, o povo tem razões pragmáticas para votar que a grande mídia parece não compreender.
Para piorar o humor das elites brasileiras, Chávez ganhou na Venezuela. O momento não está para os tubarões.
Para nós, enquanto uma oposição mais à esquerda, as grandes questões estiveram ausentes nessas eleições municipais: o saneamento básico, o controle das enchentes, a educação, a saúde, foram temas apenas tangenciados. Aqui no sertão mal se falou na seca. Nem vamos falar das questões nacionais, como o soterramento do Código Florestal em plena campanha municipal.
Hoje eleição é um jogo de mídia, despolitizada e o PT vencedor eleitoralmente é completamente desfigurado em termos de suas propostas originais. Alimenta-se da satisfação popular, que vai perdurar enquanto a sensação de melhora do povo perdurar. É o que nos restou dos sonhos de uma nova política em um novo país.
Portanto, temos que dar o braço a torcer ao Lula: enquanto a matilha midiática late, Lula passa.
Roberto Malvezzi (Gogó), Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.
EcoDebate, 01/11/2012
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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Temporal derruba muro de estádio e deixa milhares sem luz no RS


Torre de refletor do campo caiu para fora do estádio do Caxias, mas ninguém se feriu. Foto: Geremias Orlandi/SER Caxias/DivulgaçãoTorre de refletor do campo caiu para fora do estádio do Caxias, mas ninguém se feriu
Foto: Geremias Orlandi/SER Caxias/DivulgaçãoUm temporal intenso, com fortes ventos e granizo, caiu sobre a serra gaúcha na noite de terça-feira, destelhando casas e deixando cerca de 110 mil pessoas sem luz. Até uma parte do muro do Estádio Centenário e uma torre de refletor do campo caíram. Às 11h desta quarta-feira, em torno de 22 mil clientes da RGE ainda estavam sem luz na região da Serra gaúcha e Vale dos Vinhedos.
Tijolos caíram sobre carros nas imediações do estádio  Foto: Geremias Orlandi/SER Caxias/Divulgação
A queda da energia aconteceu às 20h43 de segunda-feira, após um problema em uma linha de transmissão da Companhia Estadual de Energia Elétrica (Ceee), o que afetou moradores da região de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. A energia foi restabelecida somente às 3h30, conforme a companhia.
Segundo o Corpo de Bombeiros de Caxias do Sul, em torno de 60 casas foram danificadas, ou por destelhamento ou por queda de árvores, mas ainda não chegaram informações sobre feridos. No caso do estádio, que pertence ao clube Caxias, ninguém se feriu. Na cidade vizinha de Bento Gonçalves, os ventos chegaram a 88 km/h, segundo dados da estação do Instituto Nacional de Meteorologia.
Em Farroupilha a situação é mais crítica. Até a meia-noite de terça-feira, a prefeitura recebeu 450 solicitações de lona preta para cobrir as casas, segundo o secretário de habitação Juvelino De Bortoli. Na Escola Estadual Farroupilha, parte do telhado caiu e feriu uma mulher. Outra vítima levou uma pedra de gelo na cabeça. As duas já foram atendidas e estão bem. A Escola Municipal Santa Cruz de Nova Milano também foi danificada pelo temporal. O município ainda teve perdas agrícolas, nas parreiras de uva. A Emater realiza o balanço. Até o fim da tarde, a prefeitura pode decretar situação de emergência.
De acordo com o capitão da Brigada Militar Juliano Andre Amaral, a pista da RS-122, em Farroupilha, foi coberta de vegetação, galhos, pequenas árvores em uma extensão de 1 km: "Algo jamais visto!". A Polícia Rodoviária Federal alertava para atenção redobrada na BR-116 no trecho de Novo Hamburgo a Caxias do Sul, devido a diversas árvores derrubadas pelo temporal.
A previsão é que a chuva continue em Caxias do Sul até a noite de quinta-feira. A RGE lembra que ocorrências de falta de energia podem ser comunicadas por SMS, enviando a palavra LUZ o número da Unidade Consumidora para o número 27350.
Ciclone extratropital
De acordo com a Climatempo, ainda existem riscos de temporais em toda a Região Sul do País nesta terça-feira, com exceção da região da fronteira com Uruguai, no Rio Grande do Sul. O risco segue até a quinta-feira. A boa notícia é que o feriadão será de tempo seco, com um leve frio para os gaúchos. Um ciclone extratropical está em formação no oceano entre o RS e o Uruguai, e somado às nuvens carregadas, pode trazer rajadas de até 100 km/h nas regiões sul, litoral e áreas mais elevadas do Rio Grande do Sul.
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Paroquia Imaculado Coração de Maria de Três Palmeiras está em Missões


Paroquia Imaculado Coração de Maria de Três Palmeiras convida você e sua família a participar das  Missões que acontecerá entre os dias 9 e dia 18 de novembro de 2012.
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COMO CONSTRUIR UMA CISTERNA





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A cisterna de placas é um tipo de reservatório d’água cilíndrico, coberto e semienterrado, que permite a captação e o armazenamento de águas das chuvas, aproveitadas a partir do seu escoamento nos telhados das casas, através de calhas de zinco ou PVC.



A cisterna de placas permite o armazenamento de água para consumo humano em reservatório protegido da evaporação e das contaminações causadas por animais e dejetos trazidos pelas enxurradas.

O tamanho da cisterna varia de acordo com o número de pessoas da casa e do tamanho do telhado.

Fabricando as placas
Essa cisterna tem algumas vantagens.

Do ponto de vista técnico, é uma estrutura fácil de construir.

Basta que a pessoa tenha algum conhecimento sobre construção.É uma tecnologia que utiliza menos material que os demais modelos existentes.

Pode-se utilizar de mão-de-obra familiar e o seu custo é bem inferior ao dos outros modelos.
 Montagem da cisterna de placas


A cisterna fica enterrada no chão até mais ou menos dois terços da sua altura.

Sua totalidade consiste em placas de concreto com tamanho de 50 por 60 cm e com 3 cm de espessura (mistura cimento : areia de 1 : 4), que estão curvadas de acordo com o raio projetado da parede da cisterna, variando conforme capacidade prevista.

Há variantes onde, por exemplo, as placas de concreto são menores e mais grossas, e feitas de um traço de cimento mais fino.
Estas placas são fabricadas no local de construção em moldes de madeira.

A parede da cisterna é levantada com essas placas finas, a partir do chão cimentado.
Para evitar que a parede venha a cair durante a construção, ela é sustentada com varas até que a argamassa esteja seca.
Depois disso, um arame de aço galvanizado (No.12 ou 2,77 mm) é enrolado no lado externo da parede e essa pé rebocada.
Num segundo momento, constrói-se a cobertura com outras placas pré-moldadas em formato triangular, colocada em cima de vigas de concreto armado, e rebocadas por fora.

Armação da parede e reboco externo de cisterna de placa

Depois disso, um arame de aço galvanizado (No.12 ou 2,77 mm) é enrolado no lado externo da parede e essa é rebocada.

Em seguida a parede interna e o chão são rebocados e cobertos com nata de cimento forte.

O telhado da cisterna, cônico e raso, também é feito de placas de concreto, que estão apoiados em estreitos caibros de concreto.

Um reboco somente externo é suficiente para dar firmeza.
O espaço vazio em volta da cisterna é cuidadosamente aterrado.
Assim a terra apóia a cisterna.



O processo de construção da cisterna ocorre a partir de 8 etapas principais.
Abaixo são apresentadas as etapas, com informações e recomendações técnicas relativas ao processo de construção:
1 – Escavação do buraco
• A construção deve ser próxima à casa;
• O tipo de terreno influi na profundidade da escavação e na estabilidade da cisterna;
• Não construir próximo a árvores, currais e fossas (distância mínima de 10 a 15 metros);
2 – Fabricação das Placas
• Areia média (nem grossa nem fina) lavada e peneirada;
• Proporção: 4,0 latas de areia por 1 lata de cimento;
3 – Fabricação dos caibros
• A fabricação dos caibros é feita com massa de concreto com vergalhão retorcido;
• Material: 2 latas de areia, 2 de brita e 1 de cimento (areia grossa);
• 4 tábuas com 1,30m comprimento, 6cm de largura, 2 a 3 cm de espessura;
• 17 varas de vergalhão ¼ de polegadas, (fazer um gancho na extremidade de cada vara de vergalhão nos 10cm finais);
4 – Levantamento das paredes
a) Fabricação de laje do fundo
• Traço de concreto com 4 latas de areia grossa, 3 de brita e 1 de cimento;
• Espessura de 3 a 4 cm;
• Riscar 1,73 m do centro até as bordas (Raio);
b) Assentamento das placas
• Material: 2 latas de areia por 1 lata de cimento;
• 102 varas finas de madeira para escorar as placas;
• A distância de uma placa para a outra é de 2cm;
c) Amarração das paredes
• Arame galvanizado Nº 12;
• A amarração pode ser feita 1 hora após o levantamento das placas;
• Iniciar pela base, (todas as voltas de arame deverão ser bem distribuídas na parede da cisterna);
d) Reboco das paredes
• Areia fina: traço 3 latas de areia para 1 de cimento. (correspondente ao reboco interno);
• Areia fina: traço 5 latas de areia para 1 lata de cimento (correspondente ao reboco externo);
• Obs.: Iniciar primeiro o reboco externo, para só então iniciar o reboco interno;
e) Reboco do fundo da cisterna
• A mesma massa do reboco interno da parede;
f) Aplicação do impermeabilizante
• Deve ser feita 1 ou 2 dias, após a construção da cisterna no interior da mesma;
• Misturar o impermeabilizante com cimento (passar até três demãos);
• Obs: colocar água na cisterna após que a mesma esteja pronta, para não ressecar;
5 – Cobertura
a) Colocação do Pilar Central;
b) Posicionamento dos caibros;
c) Colocação das placas do teto;
d) Reboco do teto
> 5 latas de areia para 1 de cimento;e) Acabamento
> Pintura com cal;
6 – Colocação do Sistema de Captação
• É feita por meio de calhas de bica, que são presas aos caibros do telhado da casa e canos que ficam entre as calhas e a cisterna.
Na entrada da cisterna deve-se colocar um coador para evitar o ingresso de sujeira no interior da mesma;
7 – Retoques e acabamentos
• Esta fase consiste em fazer uma cinta de argamassa para juntar os caibros à parede da cisterna;
• Material: Areia fina e cimento: traço 5 latas de areia para 1 lata de cimento;
• Fixação de Placa de Identificação (conforme modelo padrão – II).
8 – Instalação da bomba manual

• Esta fase consiste em instalar adequadamente a bomba d’água na cisterna.

Vantagens e Desvantagens
Vantagens:

- as ferramentas necessárias, inclusive a madeira para fazer os moldes, estão disponíveis em todas as comunidades rurais;
- a retirada da água acontece com facilidade pelo lado de cima, não é preciso ter uma torneira;
- é muito adequada para projetos pequenos de construção de cisternas, que prevêem a construção de um número limitado de cisternas em um curto tempo;
- baixo custo de construção;
- a água é fresca, já que a maior parte da cisterna fica debaixo da terra.
Desvantagens:
- a construção exige pedreiros qualificados.
Para a população é difícil riscar na placa de fundação o círculo perfeito com o raio correto para a parede fina.
O contorno só pode ter uma margem de erro de 2 cm.
Levantar a parede apresenta a mesma dificuldade;
- a aderência entre as placas de concreto pode ser insuficiente, principalmente no sentido horizontal.
Tensões podem provocar fissuras por onde a água vaza;
- a parte subterrânea não pode ser examinada para detectar vazamentos;
- o buraco a ser cavado tem que ter um diâmetro em 0,6 m maior que o diâmetro da cisterna, para possibilitar os trabalhos na parede externa. Isso significa que para uma cisterna de 10 m3, que 12 m3 de terra tem que ser retirados (cavando até uma profundidade de 1,60 m);
- entre a fabricação das placas e o início do levantamento das paredes é preciso aguardar cerca de três semanas para que o concreto possa curar (endurecer) o suficiente;
- um conserto de vazamentos é impossível na maioria das vezes.


Quais os custos de uma cisterna de placa?
Os custos atuais variam bastante de região para região, o custo médio é de R$ 1.500,00 (á epoca???).
Os materiais necessários são: 

cimento, ferro, arame galvanizado, arame recozido, bica (zinco 30 cm), areia, brita, impermeabilizante, joelho 75mm, cano PVC 75 mm, T 75mm, tampa, cadeado 25mm, cal hidratada, filtro (tela fina), kit bomba manual e placa de identificação.

As cisternas têm capacidade de armazenar 16 mil litros cúbicos de água, quantidade suficiente para suprir a necessidade de uma família de cinco pessoas por um período de seca de 8 meses.

A mão-de-obra é um pedreiro treinado e a própria família, que precisa aprender não só a construir a cisterna, mas como fazer sua manutenção e como tratar a água.
Pedreiros são treinados para fazer cisternas. Pela obra recebem em torno de R$ XXX,00 (á epoca???).
Dá-se preferência a pedreiros da própria comunidade.
Lista de materiais
Lista de materiais para a construção de umaCISTERNA DE PLACAS de 10.000 litros com: 
Raio: 1,15 m – Diâmetro: 2,30m – Altura: 2,40 m
Quantidade:
Material:
11
cimento/saco
70
lata de areia (transporte)
7
lata de brita/seixo
1.100
litro de água
4,5
kg de ferro 1/4″
10
kg de arame 12 galvanizado
5
dia de pedreiro e servente

Lista de materiais para a construção de umaCISTERNA DE PLACAS de 20.000 litros com: 
Raio: 1,63 m – Diâmetro: 3,26m – Altura: 2,40 m
Quantidade:
Material:
18
cimento/saco
114
lata de areia (transporte)
10
lata de brita/seixo
1.800
litro de água
7,5
kg de ferro 1/4″
14
kg de arame 12 galvanizado
8
dia de pedreiro e servente
fonte: mds.gov
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